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Entrega amigável, solução ou problema?

Entrega amigável, solução ou problema?

Resoluty 23 Fev 2021

Grande parte da população brasileira busca as instituições financeiras para realizar a compra de um carro por meio de financiamentos. Ocorre que grande parte dos consumidores se encontra enfrentado dificuldade para honrar o pagamento das dívidas.

Quando isto ocorre, vários clientes são bombardeados por diversas ligações das instituições financeiras fazendo ameaças como: “Se você não pagar as parcelas atrasadas, vão arrombar o portão da sua casa e pegar o carro, mas se você entregar amigavelmente, vai ter a dívida quitada e seu crédito de volta.”, alegando que a melhor solução para o fim da sua dívida é a “entrega amigável do veículo”.

Ocorre que a solução apresentada pelos bancos não tem vantagem nenhuma para o consumidor, apenas para própria instituição financeira. Que tenta ludibriar os consumidores para que pense que esse procedimento é algo vantajoso, bem como, que ao entregar o seu veículo financiado o seu débito automaticamente será quitado.

Porém essa decisão merece um cuidado especial. Você conhece alguém que afirma ter recebido alguma devolução de dinheiro do banco após uma entrega amigável? Muitas vezes os bancos alegam que você ficará sem dívida e possivelmente terá um crédito a receber, porém isso nunca acontece, a não ser por medida judicial, e, neste caso, requer que o consumidor contrate um advogado com conhecimento jurídico específico sobre Direito Bancário.

Acontece que, a entrega amigável passada pelas instituições financeiras para seus clientes não tem nada de amigável, visto que assinando o termo para entrega amigável do bem ele será vendido em leilão e, caso o valor arrecadado não for suficiente para quitar a dívida do financiamento, o consumidor continua com débito restante.

Vamos analisar juntos?

  1. Primeira informação importante é que neste momento não considera o valor que o cliente deu de entrada na compra do bem, tampouco o valor pago no decorrer do financiamento, sendo assim, considera-se somente o saldo devedor no momento da devolução do bem.
  2. Segundo ponto, quanto falta para terminar de pagar o financiamento. Se restam 30 parcelas de R$ 1.000,00, ainda existe um saldo devedor de R$ 30.000,00 com o banco.
  3. Compare esse total com o quanto seu carro está avaliado no mercado atualmente, neste caso R$ 18.000,00.
  4. O banco vai vender o carro em um leilão e é aí que está o perigo, porque no leilão é comum que o carro seja vendido por um valor em média de 30% a 60% abaixo do valor de mercado, supomos neste caso que ele tenha sido vendido por R$ 10.000,00.
  5. Neste caso a sua dívida com o banco ainda será de R$ 20.000,00, ou seja, (saldo devedor de R$ 30.000,00, menos os R$ 10.000,00 da venda no leilão, é igual a R$ 20.000,00), essa dívida é chamada de saldo remanescente.

Existe outra possibilidade, pouco utilizada pelos Bancos e mais benéfica ao cliente. Trata-se da Entrega Amigável com Quitação. Nesses casos, o banco aceita a entrega do bem para liquidação total da dívida, sem estar condicionada à venda em leilão. Mas fique atento, essa possibilidade deve estar expressa nos documentos da entrega, pois muitas vezes o cliente acredita que está fazendo este procedimento, quando na verdade está realizando a entrega amigável comum onde ainda pode ficar com dívidas, isso se dá pela maneira como o atendente do banco ou assessoria explica ao cliente, induzindo o mesmo a acreditar nessa condição.

Por isso é importante atentar-se aos valores e termos do contrato, caso contrário é possível ficar sem carro e com mais uma dívida, vinda do saldo remanescente.

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